sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Da cabeça para o papel: como uso da agenda tem mudado minha vida para melhor


Flávia Souza*

Sempre me identifiquei como uma pessoa desorganizada, mas que ama a organização. Era daquelas que sonhavam em ter um dia de 48 horas, porque 24 era pouco para fazer tudo o que precisava fazer.

Meus dias começavam cedo, terminavam tarde, eram cheios de atividades e, ao deitar, ia para cama frustrada por não ter feito nem metade do que precisava. Pior: se alguém me perguntasse o que eu havia feito, não sabia responder. Porque sempre tive a impressão de que não fazia nada.

É claro que esta visão era formada diante de tudo o que ficou para trás. Cuidar de três filhos pequenos, da casa e ter dois empregos (às vezes três), eram ações e funções diminuídas por mim diante do que não aconteceu.

A verdade é que já há bastante tempo não tenho uma rede de apoio. Entenda com isso que não tenho empregada ou faxineira; babá; ou pais morando próximos. Meus filhos estudam meio período e eu não suporto ficar em casa suja ou bagunçada. Ninguém gosta, né?

Amar a organização não me ajudava em nada em ser organizada. Eu precisava agir, mas confesso que estava perdida olhando para o que não tinha feito e me frustrando. Gastei muito tempo e energia nas coisas erradas. Ainda bem que sempre é tempo de mudar.

Há cerca de dez meses tenho trabalhado esta mudança. Porque decidir mudar, ainda não é o mesmo que agir. E, para que esta ação tenha bons frutos, precisei mudar alguns hábitos. 
O primeiro deles foi usar minha agenda. Sabe aquela que a gente acaba ganhando de uma empresa, cliente ou amigo secreto no final do ano e mal é tocada durante o ano? Pois é, é desta mesma que estou falando. Comecei a colocar todos os meus compromissos no papel.

O legal é que fiz importantes descobertas com esta ação tão simples e mudei meu ponto de vista sobre mim mesma. A primeira descoberta é que eu faço mesmo muitas coisas no dia, talvez muito mais que uma pessoa normal. Talvez até o normal para quem tem uma vida como a minha. Então aprendi a me valorizar mais e a deixar de me culpar.

Outra coisa que entendi é que, ao tirar as coisas da cabeça e colocar no papel, a mente fica mais livre. Quando tinha um compromisso, passava o dia lembrando que precisava fazer aquilo ou ir a tal lugar. Esse compromisso se tornava uma cobrança e eu acaba me tornando escrava de auto-cobranças e muitos esquecimentos.

Compromissos no papel liberam a mente para viver o presente, para se concentrar no que exige atenção no momento. Outra vantagem de se ter as tarefas a realizar no papel ou numa agenda eletrônica é que você passa a estruturar melhor sua rotina diária, logo está gerenciando seu tempo com mais eficácia. Quem não já ouviu falar que tempo é dinheiro?

Pois é, com os compromissos no papel a gente para de perder tempo com coisas menores, para se concentrar em cumprir o que foi estabelecido para aquele dia. Para mim, cumprir a agenda virou um jogo que eu precisava vencer diariamente. Contudo, quando não conseguia, também não me frustrava porque via que cheguei bem perto de onde deveria estar.

Aprendi que feito é melhor que perfeito e, se não deu para fazer hoje, o compromisso volta para a agenda para ser cumprido no dia seguinte. Hoje não convivo mais com as cobranças da minha mente, nem com constantes esquecimentos. Tenho a cabeça livre para pensar, me concentrar e construir o hoje com mais maestria.

Hoje não apenas amo a organização, mas a abraço todos os dias com amor. Ela veio para ajudar a mudar a minha vida para melhor e eu não abro mais mão do melhor de jeito nenhum.


A autora é mãe de 3, dona de casa, blogueira, jornalista, especialista em Língua Portuguesa, amante da organização e busca ordem em meio ao caos para viver em plenitude

Um comentário:

  1. Ahhh, vc é mãe de três... e eu que sou mãe de um só, trabalho só meio expediente fora de casa... e não tenho conseguido dar conta da minha organização =( afff... tô devorando suas dicas para poder me organizar melhor... uma coisa por vez. Beijos.

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