sábado, 28 de março de 2015

Gente que faz a diferença: Alencar Burti

Para a edição de março do Jornal do Comércio Vicentino, tive a honra de entrevistar o novo presidente da Facesp, Alencar Burti. Um homem poderosíssimo, mas de uma simpatia, humildade e compaixão admiráveis. Virei fã, claro, e faço questão de compartilhar na íntegra o nosso bate-papo, da forma que saiu no informativo da Associação Comercial de São Vicente. Na entrevista, ele fala, sobretudo, da importância de se ter humildade e de se dedicar, com amor, ao que faz.


Alencar Burti, recém-eleito presidente da Facesp, fala dos seus planos para o executivo da entidade

Aos 83 anos – 70 deles dedicados à atividade comercial, Alencar Burti foi eleito para seu terceiro mandato à frente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial e Empresarial de São Paulo (ACSP). Nesta entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio Vicentino, o empresário conta um pouco da sua trajetória, fala sobre suas motivações nesta nova jornada e apresenta seus planos para atuar no executivo de uma das principais entidades de classe do País.


Este será o seu terceiro mandado à frente da Facesp. Como encara esse novo desafio?
O importante é ter paixão pelo que faz, humildade e determinação para atingir os seus objetivos. Sem isso, tudo é uma perda de tempo. Quando você se dedica, voluntariamente, a defender uma ideia ou buscar alegria de estar vivo, você agrega. Tenho dito que voluntário precisa, antes de tudo, amar a vida, até porque voluntário não pode ganhar dinheiro. Tem que fazer porque lhe gratifica. É isso que tenho feito com determinação. Tenho, também, minhas empresas e uma história com 70 anos de atividade empresarial, então tenho algum experiência. Então faço isso, me dedico e a Associação Comercial tem correspondido – tanto que fui trazido aqui quando já estava com a carreira encerrada. Foram me buscar e com prazer estou aqui, num momento importante, que é suceder um homem competente como o Rogério Amato e os trabalhos dele e, se Deus quiser, vai dar tudo certo.


Quais os planos para este novo mandado?
Entidades como a FACESP e ACs tem que ser entendida que antes de tudo precisa de unidade. A pessoa antes de entrar precisa saber que pode desfrutar, futuramente, daquele prestígio que a entidade lhe dá, mas não pode usar a entidade para atingir outros objetivos que não seja para engrandecimento da nossa Associação e da nossa Federação. São coisas elementares, mas se você olhar a situação do Brasil hoje, com o noticiário, é um pouco desolador. Então você precisa cair para o outro lado e pregar que ser ético, ser construtivo, ter uma visão pensando no País que você vive e em consequência pensando no município em que você está -  e nós da Federação que estamos em mais de 400 municípios representados, é fundamental que a gente tenha isso incorporado. Porque quando se lidera um movimento de voluntários, você não comanda e sim você lidera. Liderar consiste, primeiramente, em ouvir. Você fica à serviço dos que você liderados, numa permanente troca de ideias, onde a sua escolha pelos liderados já te dá a autoridade que tem que ser conduzida. Por isso falo em humildade, de você não impor ideias e sim trocar ideias e ser convincente. Como sempre fui vendedor, eu procuro vender para ganhar o cliente.


Como a experiência adquirida em entidades de classe, e em especial o Sebrae, do qual o senhor foi presidente do Conselho Deliberativo, como acredita que poderá contribuir neste novo processo à frente da ACSP e da FACESP?
 E não é só à frente do Sebrae, mas de outras entidades importantes e que abrangem o Brasil todo, como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE), a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABRAD), entre outros. Essa minha ida só valeu porque me mostra o quanto tenho que aprender. A experiência adquirida só vale quando se descortina um horizonte que você não imaginava, embora toda essa sua trajetória, que tenha ainda tanta coisa para fazer. Se valer do que você aprendeu e buscar o que você tem que aprender. E só a convivência com as pessoas, a determinação, o entusiasmo e o diálogo, perguntando, aprendendo, encaminhando, planejando e executando. Por isso tenho tido a alegria de sempre ter sido convocado, pois nunca disputei uma eleição. Graças a Deus aqui na AC, desde que entrei, é sempre chapa única. Desde que estou aqui, nunca disputamos uma eleição, elegemos a pessoa antes e ela é escolhida por meio do diálogo, da atuação, da compreensão do que o teu comportamento gerou confiança nos seus colegas. Dentro desse quadro observamos que o obvio é uma coisa fácil de você ver e difícil de entender. Você tem que estar evidentemente comprometido com as mudanças, com aquilo que na minha época levava 10 anos para mudar, hoje leva duas horas por causa da informatização de toda a tecnologia. Não adianta querer fugir ou trazer o passado ao presente. Você usa a tecnologia para mostrar ao passado como se atua, passado para mim serve quando traz valores.  Existe uma diferença entre pressa e urgência, hoje com a tecnologia vive num regime de urgência, mas se você se apressar, só fará bobagens.


O senhor tem planos para que haja maior interatividade entre a Facesp e as ACs do interior e litoral?
Quero conversar com os dirigentes, para fazê-los entender que não adianta querer puxar para uma região maior ou melhor. Temos que trabalhar para que todas tenham o maior e o melhor, mas que seja um trabalho onde as grandes ajudam as pequenas, afinal, nossa entidade é uma grande sociedade, aonde tem que ser defendido o interesse de todos. A integração é uma das minhas determinações, é o que dará abertura para que cada um entenda as suas diferenças e também desejo que os pequenos compreendam que a melhor coisa é conviver com os grandes, admirar e aprender com os competentes, em vez de afastar ou ter inveja. É preciso aprender com quem sabe - esta é uma atividade permanente dos voluntários, daqueles que se dedicam. Então precisamos trabalhar juntos, unidos e sempre trocar experiências, porque cada região tem as suas características e não adianta dizer que alguém está errado, pois a região tem o direito de ser o que é – dentro da sua cultura, costumes e necessidades. Aconselho que cada dirigente se ajuste a esta realidade e procure tornar a sua AC ainda mais importante.

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