domingo, 28 de novembro de 2010

Em choque


Sabe, não sei como ainda me choco, mas é o que anda acontecendo. Estou chocada, triste e porque não dizer, assustada. Há dois dias assassinaram um vereador da minha cidade, Guarujá. Poucas horas antes do seu assassinato, ele havia feito um boletim de ocorrência falando das ameaças e ligou para um amigo jornalista para dizer que naquela noite haviam tentado dar fim a sua vida. Depois dessas denúncias, silenciaram-no para sempre. Era vizinho dos meus pais e eu o conhecia, não do bairro, mas da política regional mesmo. Minha profissão faz com que eu tenha contato direto com os políticos da Região e conforme me aproximo das suas atividades, mais me surpreendo e mais quero distância.

Romazzini, o vereador assassinado, tinha casado há apenas seis meses. Era militar reformado deo Exército, advogado criminalista e professor universitário. Também era um idealista, que lutava pela transparência política. Com isso era uma das duas testemunhas de um escândalo ocorrido em 2006, na Câmara do Guarujá, que denúnciou propinas para aprovação de projetos, forçando a renúncia de sete vereadores e cassação de um. Idealistas não conseguem sobreviver por muito tempo na lama negra (e nada medicinal) que se tornou a política guarujaense, e porque não dizer, a política tupiniquim?

Há nove anos, meu ex-professor de Química, Ernesto Pereira também foi assassinado. Levou 13 tiros num crime concluído como passional. Ernesto era uma pessoa do bem, super para cima e com expecional trabalho social na Cidade e, por "coincidência", também era vereador. Poucos anos antes, um outro edil foi assassinado na Pérola do Atlântico. Ano passado, o ex-prefeito da Cidade deixou o município após sofrer graves ameaças contra sua família. Juliana, a viúva de Romazzine, ouviu de seu quarto os sete disparos contra o marido. Imagina como está a cabeça e o coração dessa mulher que deveria estar ainda curtindo a lua de mel. Imagina como está a cabeça e o coração dos guarujaenses.

Minha desilusão política é cada vez maior, porque política no Brasil se tornou a luta pelo poder e como combater isso? No Rio de Janeiro os políticos resolveram se mexer, finalmente abrindo guerra contra o tráfico. E aqui, quem vai abrir guerra contra a criminalidade que se tornou a política nacional?

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